Entrevista com Mario Sant´Ana do Projeto Resgate

Entrevista com Mario Sant´Ana do Projeto Resgate História do Projeto Resgate No final de 1994 um grupo de amigos sentiu a necessidade de se envolver de forma efetiva nos problemas sociais da cidade. Após um trabalho de cadastramento, 52 famílias foram selecionadas para receber alimentos e roupas recolhidos durante uma campanha de Natal organizada pela equipe de voluntários. Os donativos foram distribuídos nos bairros Jativoca, Morro do Moto Clube e Jardim Iririú, de onde foram convidadas 120 pessoas que participaram de uma ceia oferecida por um empresário local na noite de 24 de dezembro. O êxito da iniciativa não só garantiu a sua reedição nos anos subsequentes, como também desencadeou várias outras obras sociais. Aos poucos, escrevia-se uma história de conquistas que, além de mudar para melhor a vida dos que por elas foram beneficiados, despertou a fé em muitos de que a questão social em nosso país tem solução e que o envolvimento de todos é boa parte da resposta. Em abril de 1995, o grupo lançou o projeto ‘Ensinando a Pescar’ com a proposta de criar empresas, cujos donos seriam escolhidos dentre a população carente, que desenvolvessem atividades em demanda no mercado de forma competitiva. O primeiro fruto foi a Sólida – Artefatos de Cimento Ltda. Inaugurada em setembro de 1995, a nova empresa fabricava artigos para a construção civil. Um ano após a sua criação, ganhou a concorrência pública para a fabricação de lajotas e meios-fios usados no calçamento do Morro do Motoclube. Essa obra, realizada com recursos do FGTS, foi o resultado das articulações feitas pelos mesmos voluntários junto aos governos municipal, estadual e federal. Foram oito meses de grande prosperidade para a Sólida e para os seus cerca de 50 funcionários, muitos dos quais moradores daquele mesmo morro. Percebendo haver outras necessidades, tão prementes quanto a moradia e o trabalho, surgiu um novo projeto, desta vez voltado à educação: ‘Ajuda-me a Aprender’. Buscando auxiliar crianças com dificuldades de aprendizagem e baixo desempenho escolar, os voluntários passaram a assistir aos alunos em seus deveres escolares e a realizar atividades que propiciam uma melhoria no relacionamento com familiares e amigos. As aulas de reforço escolar eram ministradas nas dependências do jardim-de-infância do SESI, que cedeu suas instalações em apoio à iniciativa. Quatro anos haviam passado desde os primeiros trabalhos de assistência social e o amor ao próximo crescia em cada ação concretizada, aumentando a vontade de ajudar. Entretanto, o que se observou foi que aquelas boas ações eram, individualmente, insuficientes diante da complexidade dos problemas daquelas pessoas. A situação exigia algo mais estruturado e amplo. Nasce, em resposta, o Projeto Resgate, trazendo uma proposta audaciosa de atuação nas áreas de saúde, trabalho, urbanização, habitação, educação, qualificação profissional e formação pessoal, além de atender a população em suas necessidades imediatas através de ações emergenciais. Sensibilizados pela carência de tantos e acreditando nas propostas do projeto, Paulo R. M. de Oliveira e Regina Ramalho passaram a trabalhar com o grupo e hoje, ao lado de Mônica Heinzelmann e Mário Sant’Ana, formam a diretoria da Associação Projeto Resgate, criada para viabilizar a plena execução do projeto. ‘O resgate da qualidade de vida, que é o nosso objetivo, ocorre através da combinação dos esforços das diversas áreas de atuação. A sociedade dispõe da maior parte dos recursos necessários. Nosso papel é de meros catalisadores’, explica Mário Sant’Ana.

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